Sem título, série Duelos, 2016

Impressão com pigmento mineral em papel algodão rag 310g

110 x 165 cm

Sem título, série Duelos, 2016

Impressão com pigmento mineral em papel algodão rag 310g

138 x 110 cm

Sem título, série Duelos, 2014

Impressão com pigmento mineral em papel algodão rag 310g

90 x 60 cm

Sem título, série Duelos, 2015

Impressão com pigmento mineral em papel algodão rag 310g

40 x 60 cm

Sem título, série Duelos, 2016

Impressão com pigmento mineral em papel algodão rag 310g

40 x 60 cm cada

Sem título, série Duelos, 2016

Impressão com pigmento mineral em papel algodão rag 310g

90 x 72 cm

Sem título, série Duelos, 2015

Impressão com pigmento mineral em papel algodão rag 310g

40 x 60 cm

Sem título, série Duelos, 2015

Impressão com pigmento mineral em papel algodão rag 310g

110 x 165 cm

Sem Título, Série Duelos, 2015

Impressão com pigmento mineral em papel algodão rag 310g

110 x 165 cm

Sem Título, Série Duelos, 2015

Impressão com pigmento mineral em papel algodão rag 310g

110 x 165 cm

Sem Título, Série Pós-Poste, 2015

Impressão com pigmento mineral em papel algodão rag 310g

110 x 165 cm

 

SIMBIOSE
SIM

A consciência da vulnerabilidade e da finitude da vida é um dos fatores primordiais que nos impulsionam a transformar a natureza do mundo e das coisas. Urge a obsessão em domar o indomável na tentativa - quase sempre vã - de alcançar a perenidade por meio de gestos que prolonguem nossa existência através dos tempos.

Se existe uma certa dose de soberba na atitude do homem que molda a natureza para adequá-la aos seus caprichos de bicho racional, há, na mesma medida, uma espécie de transe cercado de poética e devir filosófico. 

Reordenar as leis da natureza seria, assim, uma forma de tentar clarear minimamente o assombro do que nos é inexplicável. Diante do imensurável e da ignorância que rondam a angústia de estar vivo, resta-nos arquitetar projetos que vislumbrem uma desejada transcendência.

Erigir escadas, muros de contenção e abrigos em meio à várzea, é uma tentativa de edificar monumentos personalizados. Súplicas da criatura revogando para si o direito de ser também o criador. Andre Nacli, com sua percepção aguçada, capta com primor a intriga do homem contemporâneo assentada na polarização entre poder domesticar seu entorno e terminar, inexoravelmente, sendo atropelado por esse no contínuo do tempo infinito da natureza. 

Viver, afinal, é construir castelos de areia para que o primeiro movimento da maré os desmorone. Mas ao artista não cabe contemplar esse discurso plano e fatalista. A obra que Nacli começa a gerar com desenvoltura busca chegar a um plano mais complexo de codificações sob a luz da argúcia e da acuidade de espírito.

Simbiose Sim avança no debate que coloca uma lente de aumento nas fissuras existentes entre cultura e natureza. Ao flagrar de diversas formas o instante em que a natureza começa a tomar de volta o seu espaço que lhe havia sido sequestrado, Nacli traz, para a superfície de suas fotografias, ao mesmo tempo, a força que rege os ciclos vitais e a flagrante vulnerabilidade do ser.
Eis que uma nova forma de pensamento pode ser gestada a partir da trama bem urdida nesse conjunto de imagens: só é possível transcender e ganhar a tão desejada perenidade, não pelos monumentos que erigimos vida afora, mas pela consciência de que a mutação da matéria é o motor que impulsiona tudo o que é orgânico, tudo o que respira e pulsa. A exuberância de estar vivo se efetiva com a consciência de que também somos árvores, somos pedra, somos areia e somos o inexplicável. Simbiose sim.

Eder Chiodetto

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