Adriana Coppio - Sem Título

Acrílica sobre tela

70 x 60 cm

Adriana Coppio - Visitantes, 2017

Acrílica sobre tela

40 x 30 cm

Cildo Meireles - Sem Título, 1976

Pastel oleoso, acrílica, lápis cera, grafite e colagem sobre papel

70 x 50 cm

Di Cavalcanti | Mulher, caveira e abajour

Nanquim e grafite sobre papel

29 x 22,5 cm

Gokula Stoffel | Comendo meu juízo, 2019

Tecidos variados, técnica mista

137 x 300 x 46 cm

Lais Myrrha | Estudo de caso Kama Sutra #2, 2019

Guache sobre papel

32 x 24 cm

Lais Myrrha | Estudo de caso Kama Sutra #3, 2019

Guache sobre papel

32 x 24 cm

Leonilson - Morto Pela Boca o Gato Sem Cabeça , 1986

Óleo sobre tela

90 x 157 cm

Maria Martins - Uirapuru, 1945/déc. 1980

Bronze patinado

130 x 45 x 22 cm

Rodolpho Parigi - Black Dimanche Saturday Metal, 2019

Acrílica e óleo sobre poliéster

190 x 200 cm

Schwanke - Sem Título, déc. 1980

Pintura sobre papel de jornal

díptico, 114 x 136 cm cada

Tunga - Sem Título, 1995

Carvão sobre papel

37 x 50 cm

Tunga - Sem Título, 1995

Carvão sobre papel

50 x 37 cm

Victor Gerhard - Da série “Neon com ovos”, 1981

Impressão fotográfica

28 x 38 cm

Yuli Yamagata - Perna Robô, 2019

Lycra, fibra de silicone, linha de costura, ferro, meia de algodão, tênis esportivo

160 x 31 x 21 cm

 

A PARTE MALDITA: um esboço

 

“O pobre gosta de luxo”

Joãosinho Trinta

 

“O ‘luxo’ coloca para a matéria viva e para o homem os seus problemas fundamentais”

Georges Bataille

 

Em tempos tão conflituosos é difícil especular a razão, a força e a direção de tanta violência que está no ar. Embora vivamos em uma época singular —de acumulação de riqueza material como nunca antes na história da humanidade—, o ódio, o irracional e a vontade destrutiva estão na superfície, impregnando todas as coisas e sentidos prestes a explodir. Uma força, ou energia contida, norteia as relações sociais, as relações produtivas e as relações culturais. Ainda que, por instantes, nos reconheçamos uns aos outros, no momento seguinte parecemos transfigurados, decadentes, desumanizados, apartados uns dos outros, incapazes do gesto mais simples: a dádiva da troca sem compromisso —seja ela econômica, política, social e subjetiva— sem esperar nada em retorno.

Esta energia explosiva se caracteriza pelo imperativo produtivo. Tanto na criação, como no consumo, mas também nas nossas relações mais próximas e distantes, tudo se justifica por ser produtivo. O consumo produtivo, para dentro, que engole tudo que está ao seu alcance, numa acumulação desenfreada, é simultaneamente produção. Produzir e consumir para crescer. A fé de que podemos crescer indefinidamente por meio de uma acumulação incessante guia a nossa moral, a nossa ética e a nossa religião: o consumo é o nosso Deus.

Mas a maldição é que o crescimento não é infinito. Ao fim teremos que dispor dessa energia acumulada de forma improdutiva, desinteressada e avessa ao lucro. A ação mais revolucionária é aquela que simplesmente nega qualquer vontade, desejo ou obrigação de ser produtivo. O herético contemporâneo luxuosamente dissipa, ou dispensa, toda sua energia acumulada de forma improdutiva. Só assim é possível resgatar o jogo, o sexo, o sagrado, a arte, enfim, a vida. Só assim pode-se evitar a guerra total e aniquiladora que nos aparece no horizonte.

Na A parte maldita, —texto de onde extraí o título e a inspiração para esta exposição— Georges Bataille propõe e tenta dar conta desse fluxo contínuo de energia que “o sol dá sem nunca receber”[1]. O problema econômico na sua perspectiva, não é a escassez, mas o seu contrário, o excesso. O excesso de energia que paira sobre a superfície do globo, de onde retiramos as forças para poder crescer, mas que depois, ao alcançarmos a “maturidade”, precisamos gastá-lo, sem nada receber. Em uma analogia com o corpo biológico, que cresce, se reproduz e morre, todo corpo ao completar sua fase de crescimento se torna um exercício de dissipações, de gastos, de dilapidações da energia que não pode mais ele mesmo consumir. Dissipar, dilapidar e gastar o excesso de forma improdutiva é a função da arte, do sexo, das festas, dos ritos, dos sacrifícios, e no fundo, isto é o “luxo que coloca para a matéria viva e para o homem os seus problemas fundamentais”. Do contrário, só a guerra o fará.

O problema da exposição A parte maldita é um paradoxo, ou uma ambivalência, pois justamente propõe fazer sem acrescentar nada. Não como um ato de negação, mas pelo contrário, é um ato de afirmação. A partir de obras de arte que estão no mundo há muito tempo, ou que foram criadas para esta exposição —elas próprias aqui desapegadas de cronologias ou tradições— que evocam o dispêndio próprio do fato artístico; que só é arte se for inútil, e os temas dissipadores onde ela acontece: o jogo, o sexo e a morte.

É o luxo de gastar sem propor uma pesquisa da qual se retira algum conhecimento. Ou melhor, a exposição é como se fosse um ato sacrificial em que o conhecimento gerado seja ele próprio dissolvido, sem que reconduza às coisas subordinadas e manuseadas por ele, sem acréscimos. “O problema último do saber é o mesmo que a da consumação. Ninguém pode ao mesmo tempo conhecer e não ser destruído, ninguém pode ao mesmo tempo consumir a riqueza e aumentá-la”, como bem escreveu Georges Bataille na A parte maldita.

Neste sentido a exposição é um ato de revolta, de insubordinação ao Ser produtivo, ao horizonte cataclísmico da produção e é, principalmente, um ga(e)sto improdutivo.

 


[1] BATAILLE, Georges. A Parte Maldita – Precedida “A Noção de dispêndio” ed. Autêntica, trad. Júlio Castaño Guimarães. Segunda edição revista. 2013.

 

Ricardo Sardenberg

 

São Paulo

rua sarandi 113A jardins
01414-010 são paulo sp

+55 11 3062-8980

segunda a sábado, 10h às 16h
aberto com hora marcada

Para agendar uma visita, clique aqui.



Curitiba

alameda dom pedro II 155 batel
80420-060 curitiba pr

+55 41 3232-2315

segunda a sexta, 10h às 16h
aberto com hora marcada

Para agendar uma visita, clique aqui.




Simões de Assis - Todos os direitos reservados 2020