Defórmica 95 A e B, 2020

Fórmica e alumínio

153 x 245 cm

Defórmica 90, 2020

Fórmica e alumínio

146 x 150 cm

Defórmica 89 A e B, 2020

Fórmica e alumínio

148 x 213 cm

Defórmica 94, 2020

Fórmica e alumínio

102 x 84 cm

Defórmica 93, 2020

Fórmica e alumínio

110 x 135 cm

Defórmica 96 A e B, 2020

Fórmica e alumínio

151 x 155 cm

Defórmica 91, 2020

Fórmica e alumínio

90 x 145 cm

Defórmica 92, 2020

Fórmica e alumínio

94 x 95 cm

Defórmica 98, 2020

Fórmica e alumínio

69 x 56 cm

Defórmica 80, 2020

Fórmica e alumínio

67 x 66 cm

Defórmica 99, 2020

Fórmica e alumínio

62 x 47 cm

Defórmica 102, 2020

Fórmica e alumínio

62 x 48 cm

Defórmica 97, 2020

Fórmica e alumínio

85 x 41 cm

Aqui Semáforo, 2018

semáforo repetidor em policarbonato com 3 focais a led 90 x 28 x 35 cm cada

 

Takes espaciais (ou outra linha de passe)                                                                                                            

I Existiria uma razão para a modulação ser sinônimo de liberdade? Como estratégia plástica, operativa, para se converter numa abertura, numa declaração de desconfins? Nesse território quase contraditório, Eliane Prolik desenvolveu com Defórmicas uma desconstrução emblemática, ou melhor ao contrário, dinamitou por dentro uma estrutura fechada, uma articulação regulada, mas plausível de ser entendida como campo aberto. Um espaço interior podendo então ser exterior, uma forma de aparente cercado que em lugar de limitar expande. Incluída sua inerente declaração de princípios, quando há uma “rebelião das formas” (segundo expressão de Jorge Wagensberg), ora através de configurações geométricas, de uma alquimia cromática, de um desvio imaginário, uma metáfora visual do que estava por vir. De nosso habitat de hoje. Porque na natureza desse trabalho existe um jogo explícito de trocas, uma mutabilidade de não fixação, uma outra linha de passe (termo de toque de futebol) que nasce de um gesto escultórico, com proporções antropomórficas – são coordenadas humanas, extremidades numa escala de 30, 60, 90, 120, 150 cm – e acaba no destino da arquitetura, numa tradução no ambiente de movimentos. Parece, assim, um contramanifesto, um paradoxo visual: um jogo de linguagem para escapar dos limites, do espaço confinado, por meio de seu próprio desenho de cores, lâminas quais varetas, porque as formas não fecham. É toda uma sucessão de triângulos e polígonos irregulares que não tanto pavimentam quanto voam, em seu movimento aéreo de derivas ondulantes com retas! Finitos infinitos?

II Ou takes espaciais, frames escultóricos, imagem-tempo, tudo é acionado. O espaço em si, na parede, na percepção ambiental desmente sua própria categoria monolítica, unidimensional, e revela como seus interstícios e buracos que são o mapa constitutivo. A deformação de Defórmica – e atenção ao jogo de linguagem inscrito neste trabalho – orienta para um novo espaço tangenciado, no sentido de possuído e despossuído pelos pontos que permitem giram, evoluir, desenhar uma sorte de formas intermédias por sua natureza cambiante, movível, emergente. Nervuras associadas de um campo que não deixa de ser evanescente, quase virtual. Uma geometria engatada, enlaçada em suas dobradiças, eixos rotativos – mais centrípetos que centrífugos – que dispõem uma suma poliédrica de equações visuais para produzir uma rítmica, uma partitura cromática – como Matisse fez com seus recortes, como já foi oportunamente salientado. Composições de mais de uma trintena de cores diferentes cujo efeito final também é eminentemente pictórico. Não seria improcedente lembrar, como ascendência histórica, as poéticas de Volpi e Eduardo Sued, e no contexto de reverberações espaço-cromáticas, as experiências fronteiriças de Willys de Castro, de sua minimal e abissal apreensão espacial, construtiva pós-concreta, ou as derivas posteriores, também limítrofes, de Waltercio Caldas, ou de Ronald Simon, desenhando um território imagético absolutamente híbrido em sua definição plástica do fragmento e da forma breve, cesuras visuais tão bidimensionais quanto tridimensionais, como em outras latitudes, amplificaram as aventuras essenciais e sintéticas do artista minimalista Ellsworth Kelly. Assim como é lícito trazer um oportuno cotejo: um famoso verso de João Cabral de Melo Neto mas que estaria virado do avesso: uma lâmina só faca, pois aqui se recorta o espaço. Ganham-se dimensões graças à precisão do corte, à própria resistência de um material industrial e popular que Eliane Prolik nomeia literalmente, utiliza de modo apropriado, mas não como revestimento ou mera superfície, senão como superfície reconhecida em outro uso, convertida já em objeto e, portanto, em outro grau de alteridade perceptiva. Defórmica é uma obra que não só tem espaço, senão ar, alma de pássaro desenhando. Um trabalho que descolou dele mesmo – de sua matéria e simbologia originárias – e decolou para desenhar suas asas próprias.

III A promessa de um espaço ampliado subjaz em Defórmica. Entretanto, a sua sensibilidade eminentemente construtiva oferece uma obliquidade, não só formal quanto conceitual. Inquietante também na medida em que a centralidade, a simetria ou a axialidade perderam seu estatuto regente. Isso explica em parte a favor dessas peças múltiplas e trapezoidais, sua permanente inclinação e angulação, criando uma dinâmica que se encontra tanto em Malevitch quanto em Frank Gehry, salvando as distâncias de pureza, impureza dessas referências já históricas. Defórmica se alinha com a mundanidade de Gehry, em seu mesmo caráter de deformação e até na leitura heterodoxa da poética neoplasticista, pois nas peças de Eliane Prolik fica evidenciada uma idiossincrasia quase pop, social, de consumo, lúdica, desenfadada, apesar de seu consabido rigor e consciência estética. De fato, e em sintonia, a natureza dessa obra da artista passa por algo apontado em linhas acima: a preferência por oferecer uma pauta de movimento e abertura, em construção articulável, no lugar de algo finalista ou total – uma condição aberto-fechada instigante que alimenta mais associações –, outro aspecto relevante na hora de contemplar esse claro do bosque de defórmicas e deformiquinhas, sua descendência recente. Um devir em sua variante de escala – mais próxima da mão e seu gesto – que comporta a forma de um alfabeto, de unidades, protoformas, em semelhante jogo de prestidigitação visual. Onde em que o próprio curso da linha reta não é só o único caminho que junta dois pontos, precisamente, pelas variações dessa lei em equações visuais que alteram esse predicado. Em tempo, Ronaldo Brito, apontou já o instigante movimento ziguezagueante de Defórmica, delatado como o deflagrador de uma flexibilidade e leveza que não deixam de ser ingrávidas em seu efeito de ambiente, para seu repertório de formas e contraformas, que fazem andar a cor de maneira rotunda e em suspensão. “Um jogo de articulações entre geometria e luz, no qual o olhar nunca se fixa”, dirá a artista. E onde as réguas conjugam uma lógica esportiva, até bem-humorada de reversos, trocas, direções: a que se intui quando a linha reta não é a mítica distância mais próxima entre dois pontos; o que não só acontece no futebol ou na vida, e digno, portanto, de outro registro, topologia, semântica que dê conta do fluxo poroso, irregular, rebatido e irônico de nossos movimentos.

 

Adolfo Montejo Navas

julho/2020  

 

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